4 de set de 2009

Tempos amargos

A General Motors está sendo muito criticada pelo mundo, principalmente por causa dessa "quase-falência". É estranho que a segunda maior fabricante tenha passado por momentos tão amargos sendo, aparentemente, tão rica. Tinha algo errado nela.

Ela fez como algumas pessoas fazem. Juntou um grande patrimônio com dinheiro emprestado. Não soube trabalhar e acabou tendo que passar a vergonha de se desfazer de tudo. Grandes marcas, como Pontiac e Oldsmobile, foram para o espaço. A Saturn vinha crescendo e prometia bastante coisa com os carros da Opel, mas morreu e renascerá de outra forma.

O erro da GM foi não ter investido no prestígio. Foi ser econômica demais para crescer mais rápido e acabou perdendo fãs. Ela fez como o dono da lanchonete que serve bons alimentos mas não dispõe de guardanapos, canudinhos e nem de uma fachada bonita. E tem diferenças entre o cliente que come e o que compra carro. O primeiro come em pé, com a mão direto no alimento, num lugar feio, enfim, mas o segundo não quer um carro caro, defasado e que se parece com um popular qualquer.

O maior vacilo da GM foi o "carro mundial". O lance de aproveitar um carro por completo e trocar apenas motores e acabamento não é rentável a longo prazo. O projeto J, o mais famoso carro mundial de todos os tempos jamais foi um fracasso. Entretanto, não teve um "sucessor mundial".

Esse projeto foi vendido nos Estados Unidos como Buick Skyhawk, Cadillac Cimarron, Chevrolet Cavalier, Oldsmobile Firenza e Pontiac Sunbird; na Oceania como Holden Camira; na América Latina como Chevrolet Monza; na Europa como Opel Ascona e Vauxhall Cavalier; e na Ásia como Isuzu Aska. Num só país foram cinco marcas vendendo o mesmo carro por preços muito distantes (do caro Cimarron ao barato Cavalier), enganando o consumidor com melhorias no acabamento.

Isso foi muito prejudicial à imagem da Buick e da Cadillac, divisões reconhecidas pela qualidade de construção. O projeto J foi criado para ser popular. Suas suspensões eram simples e seus mecânica, fraca, apesar do uso de um V6 posteriormente. E a gigante ainda não aprendeu. Chegou a vender Trailblazer por quatro divisões (Buick, Chevrolet, GMC e Isuzu), a Colorado por três (Chevrolet, GMC e Isuzu).

Basta olhar o fiasco que foram o Volkswagen Apollo e o Ford Versailles e comparar ao que a GM faz. Fãs de VW não gostavam da aparência dos Fords. Os Fordistas não gostavam dos VWs, apesar do bom motor. A Autolatina foi um fracasso.

Em 2004 a Pontiac relança o GTO. Ao invés de colocar um novo carro, ou pelo menos uma nova carroceria, ela traz da Austrália a versão cupê do Catera, um Cadillac vendido no final da década de 90! Maculou a história do mais interessante Pontiac.

Pior é que essa marca já estava maculada. Seus produtos (me perdoem a baixaria) pareciam aquela família em que cada filho tem um pai diferente, tamanha a diferença na aparência dos modelos. A van Montana era fruto da Opel, o GTO da Holden, o Vibe da Toyota...

A GM tem que dar personalidade aos seus produtos. Chega de aproveitar carrocerias. Quando for aproveitar, só a plataforma, e em divisões próximas. E tem que tomar cuidado com a prole de cada marca, pois a Holden já está misturando seus produtos com Chevrolet, Daewoo, Opel e Isuzu, acabando com o prestígio internacional dessa carismática e evoluída divisão.

Tem certas economias...

0 comentário(s):

Postar um comentário

Deixe seu comentário sobre este post.