4 de set de 2009

De Hilux D4-D SRV Automatic para todos os usuários de Hilux

Apesar de ser bem conhecida por esse Brasil eu vou me apresentar. Meu nome é Hilux e sou a evolução de uma picape japonesa chamada Hi-lux (uma abreviação de high luxury, ou alto luxo no português). Nem sempre tive luxo, mas esse é o nome que minha mãe, a grandiosa Toyota Motor Corporation, me deu.

Nesta carta eu quero agradecer a receptividade das pessoas, em especial os brasileiros que me amam, e mostrar o que penso sobre quem tenta me tirar do sucesso com produtos parecidos. Digo logos às concorrentes: tenho tradição, robustez e luxo!

Cheguei a terras tupiniquins em 1992 junto a uma conterrânea da Mitsubishi, a L200, quando as importações de automóveis foram enfim liberadas. Inauguramos o segmento dos utilitários mid-size no país, que só seria representado por produtos nacionais anos depois com dupla americana Chevrolet S10 e Ford Ranger.

Por causa do meu visual agressivo conquistei muitos clientes, principalmente na região nordeste e sudeste. As pessoas estavam em busca de um veículo que desse muito prestígio e segurança no trânsito – não sei como, pois eu nem tinha ABS e bolsas infláveis. Cheguei para suprir as necessidades dessas pessoas. Às vezes nem pisava numa estrada de chão, mas tinha pneus monstruosos e todo aparato de fora-de-estrada, além, é claro, de tração integral.

A região nordeste me ama. O Ceará principalmente. Talvez pela minha robustez. Mas não se precisa de robustez para carregar imensas caixas de som ou passear em praias. Não entendo. Só sei que sou muito bem cotada por lá. Aliás, eu e minha versão SW4 somos usadas pelas pessoas mais altas da sociedade cearense. De certo modo, um símbolo do estado.

Em 1998 ganhei cidadania argentina devido ao sucesso. Logo depois a picape da Mitsubishi vira goiana, já sob o poder de um antigo revendedor Ford. Não gosto dessa tal de L200; sempre quis se parecer comigo. Detesto ser confundida com ela. Ainda bem que a maioria dos clientes sabe diferenciar.

Apesar de tudo, em conquistar compradores sempre fiquei atrás da S10, um produto mais econômico. Não me sinto ameaçada por ela, principalmente agora com o novo desenho. Com a nova versão, de 2005, me distanciei do antigo Bandeirante e me juntei ao Corolla. Se só gostava de asfalto e belas praias agora...

Depois de treze anos com o mesmo desenho, a minha mãe, ainda mais poderosa e ameaçando a mãe da S10, me jogou na fonte da juventude. Virei uma adolescente perto das idosas concorrentes. Ganhei uma dianteira linda. Porém, aquela parte que o brasileiro tanto dá valor – seja em carros ou mulheres – ficou sem personalidade. No entanto, fiz mais sucesso e meu prestígio foi às alturas com a nova geração.

Câmbio automático em picape é coisa de americano, mas o brasileiro gosta de mim com ele. E por falar em americano, tenho vontade de voltar à terra onde picapes vendem mais que automóveis de passeio; os Estados Unidos. As grandalhonas Ford F-Series e Chevrolet Silverado dominam, apesar das médias Colorado, Ranger e Dakota serem mais econômicas. Como americano não se importa mesmo com economia, uma das minhas virtudes e das mid-sizes, só as full-size fazem sucesso naquele país. Por isso que tenho duas irmãs maiores por lá, uma chamada Tacoma (me trocaram por ela nos anos 70) e a outra Tundra, esta equipada com motores V6 e V8 a gasolina.

Contento-me com o sucesso na Ásia, na Europa, na Oceania e na América do Sul. E vou revelar um segredo: já fui vendida na África do Sul como Volkswagen Taro! Não contem para ninguém, muito menos para a tal de Robust que vem aí. Não tenho medo dela, só vergonha de ter me vestido de uma marca que não combina comigo.
Medo? Não tenho nem da L200 Triton, aquela coisa que sempre está na minha sombra. Puxa, ninguém suporta imitação! Ainda bem que ela não copiou minha aparência, tem um motor que não inspira confiança e nem a tradição de um Toyota. Já a Frontier é bonita e luxuosa. Mas não tem tradição no Brasil. Vou dar um conselho a General Motors: traga logo a Holden Colorado (Isuzu D-Max) porque só eu, a Triton e a nova Frontier sabemos o quanto a S10 está cansada.

Bem, assim vou me despedindo. Obrigado a todos pelo sucesso meu e da minha irmã SW4. Em agradecimento a todos os brasileiros oferecerei sempre um bom motor Diesel, econômico e resistente, e outros potentes movidos a gasolina, além, é claro, de luxo e status em honra ao meu nome e ao mundo que me recebeu com tanto carinho. Seja no asfalto ou na areia, na terra ou na lama, sempre estarei pronta para transpor caminhos sem maltratar passageiros.

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