19 de set de 2009

Pressa? Para quê?

Nos primeiros meses de motorista ninguém tem noção de velocidade. As retomadas rápidas e altas velocidades em locais movimentados são ações normais para quem é jovem. Muita gente, inclusive eu, é prova disso. Para dirigir é preciso, alem de inteligência, muito juízo, habilidade e reflexo. E os pais tem um papel fundamental na formação motorista.

Lembro-me bem do primeiro contato que tive com uma moto. Estava de férias no sertão cearense, na casa de um tio que possuía um CG Today 91. Depois de algumas aulas dadas pelo pai, eu e meu irmão - ele em uma Titan 94 - fomos dar um breve passeio por uma estradinha de piçarra (cascalho) escorregadia, que ficava próxima de onde estávamos e fora local de muitos acidentes. Aceleramos tudo, deixando a emoção tomar conta do acelerador. Terceira e quarta passaram rápidas. Não tínhamos noção do risco que aquele terreno oferecia. Tomamos uma bronca quando o pai soube o que fizemos. Tenho bastante cuidado quando volto por aquelas estradinhas...

Quando um adolescente tem um pai (ou mãe) que ensina dirigir e mostra exemplos do cotidiano, a chence dele ser um bom motorista é de cem por cento. Isso não é relativo. Claro que adquirimos habilidades e juízo com o passar dos anos e das experiências arriscadas. Afinal, o bom motorista aprende com tudo, até com os erros alheios. E aprende também que com a pressa não há lucro, apenas a possibilidade de perda.

Noutro dia fiz uma experiência para saber se a pressa realmente vale a pena. Peguei a moto e fui a uma pista de pouso em desuso. Marquei a posição de saída e de chegada deixando um espaço grande entre as duas marcações. Entre elas simulei um semáforo, onde eu deveria parar por trinta segundos. Foram duas passagens, sendo uma em ritmo agressivo e outra comportado. Na primeira passagem saí acelerando tudo, trocando de marcha no limite. No último instante parei no "semáforo". Fiz o percurso em três minutos. Quando fui fazer o papel de bom motorista procurei dirigir bem suave, numa condução confortável. Calculei o tempo perdido e tive a surpresa: quinze segundos! Diante dos três minutos é muito pouco é não justifica os trancos, riscos, desconforto e gasto de combustível maior.

Infelizmente o raciocínio é expulso pela pressa e pelo estresse. E esse problema é agravado pelo trânsito péssimo e passeios apressados, como buscar crianças na escola, ir ao trabalho e etc. E há sujeitos de "pavio curto" por esses passeio. Envolver-se com um deles é um problema que tem de ser resolvido longe da rua. O bom mesmo é não "acender o pavio" de ninguém com buzinadas e outros tipos de conspiração. As vezes pelo que a pressa faz temos que esperar muitas coisas...

Na hora de dirigir temos que pedir proteção divina e deixar os problemas na garagem. Andar apressado é um jeito de complicar o já complicado trânsito. Então, não apenas reflexo, habilidade e juízo são indispensáveis, pois paciência é obrigatória. E é dever de quem é pai ensinar os filhos a dirigir (não entregado o carro na hora errada, para deixar explicado) com bons exemplos.

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Texto escrito em Outubro de 2008 e adaptado ao blog.

3 comentário(s):

Xracer disse...

Concordo totalmente !

Meu pai me ensinou muito sobre isso.

Várias vezes ele deixava quem tqva com mais pressa na estrada passar, dizia que não compensava pisar mais e se arriscar.

Teve as vezes também em que nós dois juntos no carro, numa estrada mais deserta, numa longa reta com visibilidade, de ele pisar tudo no carro e eu ainda cronometrava a velocidade real num trecho de 1 Km... garoto de 15 anos que eu era...

Ficou a experiência e os ensinamentos... pai, como o Sr. faz falta !!!

Diego de Sousa disse...

Xracer,

Nenhuma auto-escola substituírá um pai responsável, preocupado com o futuro do filho.

Anderson disse...

Muito bom! Todo o motorista deveria ler esse texto.

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