2 de jul de 2013

Produto mundial: economia global


Mais de seis meses se passaram depois que sofri um acidente de moto e durante esse tempo minha Yamaha Crypton 115 ficou guardada na garagem completamente desmontada antes de ser vendida. Retirei todas as peças danificadas e a cobri com uma lona para esperar um momento oportuno para conserto.


Gosto de Yamahas por considerá-las as “Toyotas das motos”: embora não muito bonitas, são bem construídas, resistentes e duráveis. É minha segunda Yamaha e a quarta da casa. Depois do acidente decidi comprar todas as peças originais numa concessionária do Ceará, que me fez um orçamento 50% mais barato que a de onde moro. E foi nessa compra que tive uma surpresa que rendeu o assunto deste post: produto mundial.

Produtos mundiais são aqueles vendidos nos principais mercados mundiais com pouca ou nenhuma adaptação. Na indústria de eletrônicos eles são comuns, até porque tablets, tevês, rádios e celulares são iguais em qualquer lugar. Para a indústria de veículos, no entanto, eles são bem raros e isso se explica pelas diferenças culturais e econômicas de cada país. Enquanto os italianos preferem hatches pequenos e scooters por terem ruas estreitas e combustível caro os americanos gostam de carros maiores e motos potentes. Sucesso em um país pode ser fracasso em outro: Volkswagen Gol e Honda CG 150, embora líderes de mercado, nunca se deram bem no exterior.

Mas isso não impede as tentativas e nem é uma regra.

Mesmo simples, pois é concorrente da Honda Pop 100, a Crypton exigiu um planejamento complexo da Yamaha do Brasil porque é fabricada com peças de várias nacionalidades. E o mais interessante disso: quase nada – pelo visto, nada mesmo – tem fabricação chinesa, origem quase sempre associada à qualidade ruim, o que não é verdade. 

A fábrica da Yamaha brasileira fica na Zona Franca de Manaus (ZFM). Lá são produzidos vários componentes, mas boa parte tem outra origem. Os pneus, por exemplo, são fabricados em Gravataí-RS pela italiana Pirelli. Peças plásticas de maior volume são produzidas em Manaus mesmo, mas o carburador é feito no Japão pela Mikuni, os punhos no Vietnã, os adesivos nas Filipinas e farol, retrovisores e piscas na Indonésia. São cinco países envolvidos na produção de uma moto que será vendida no Brasil. Qual é a vantagem disso? 

Economia em escala é a resposta. Para a Yamaha é melhor produzir 500 mil faróis em Jacarta e enviá-los para todas as linhas de produção da Crypton pelo mundo que produzir 20 mil em cada unidade fabril porque assim o custo por unidade fica menor. Além disso, a mão-de-obra indonésia é mais barata que a brasileira e o frete das peças, geralmente pequenas, compensa a despesa com transporte. O mesmo vale para nos componentes das Filipinas, do Vietnã e do Japão. No Brasil são fabricados o motor e algumas outras peças, talvez por força da lei da ZFM.

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¹Caso o leitor tenha interesse por motos, fiz uma avaliação completa da Yamaha Crypton 115 na ocasião de seu lançamento que pode ser lida no blog MotoReport.

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