8 de out de 2010

ENTRE DUALOGIG E I-MOTION, PONTO CERTEIRO NO I


Tendo a memória bem fresca da avaliação da Spacefox I-Motion e somando se a isso, um breve test drive da nova Idea com caixa Dualogic, resolvi escrever algo em relação as sensações auferidas ao utilizar os dois câmbios que são grandes concorrentes perante um público ávido pelo conforto dos modelos automáticos.

A condição utilizada ao rodar com os dois veículos foi o uso intenso do modo manual, com certeza a opção preferida para quem gostar de dirigir com um pouco mais de emoção, ou  ao menos até acabar o “tesão” de se dirigir trocando de marchas e passar a receber o alento da caixa em D, driblando um pouco do stress que é dirigir em grandes congestionamentos.


Conforto de marcha:


I-Motion: as passagens de marchas são feitas de modo suave, como o descrito no teste da Space, basta equalizar o pé com um pouco de cuidado e tratar a alavanca de mudanças com carinho que o resultado é extremamente satisfatório. As marchas se sucedem de forma limpa, sem interrupção do fluxo de força, as “cabeçadas” que muitos dizem que acontecem, aparecem sempre em um grau tão atenuado que quase não se percebe nada. Pedi mais de uma vez ao acompanhante do lado se ele conseguia identificar as trocas de marchas: olhando para o lado, com a janela meia aberta para filtrar os ruídos do motor, ele tentava adivinhar quando eu executava a mudança ascendente em regime normal de rotações, na verdade um pouco antes do ideal para iludir o “navegador”...por duas vezes a caixa traiu a percepção do carona. Com um pouco de treino e sensibilidade, dá para levar a caixa I-Motion na mais pura harmonia, a tocada em um todo fica mais suave.

Abusando dos giros, as passagens continuam entrando fáceis com poucas hesitações de potência – saída e entrada do motor – o mesmo acontecendo em reduções mais vivas, realmente dá para conversar... gritar com a caixa que ela dificilmente falará outra língua.

Dualogic: o mesmo exagero que eu imputava ao jornalismo especializado em relação ao câmbio I-Motion, eu dedicava em relação a opção automática da Fiat. Mas, infelizmente, dessa vez teria que dar o braço a torcer... As mudanças de marcha se ressentem bastante da interrupção equivocada de potência, mesmo calibrando ao máximo os sentidos - no momento da troca ascendente - você tira o pé suavemente e parece que o carro cai sobre o “focinho”, o motor acaba de uma vez e espera ser acordado novamente com a entrada da marcha superior. Parece dramático escrito assim, mas em relação a linearidade da caixa da Volks, as diferenças ficam bem evidentes.

Também tentei engatar a segunda em uma rotatória de diâmetro bem apertado, intencionalmente com pouquíssima carga no acelerador,  o resultado foi que a queda de força na mudança se amplificou por toda a alta cabine, chegando a balançar o veículo; nada que passasse insegurança mas um claro sinal de desconforto. Tentei simular algumas retomadas mais lépidas e por alguns momentos consegui trocas mais limpas e quase isentas de movimentos parasitários, mas isso não se repetiu da forma que eu gostaria.


Modo táctil de usar:

Bem, aqui a vantagem é da Fiat se considerarmos apenas a opção em modo manual, pessoalmente, acho que faz bastante diferença puxar a alavanca para trás enquanto as marchas se sucedem para frente, simples questão de física em obediência cega as leis da gravidade. Se fosse um carro realmente forte em acelerações, a pressão nas costas também tornaria mais natural o movimento do braço que acompanha o resto do corpo.

Freando a mesma coisa, tudo é jogado de encontro ao painel, normal que a alavanca deveria seguir o mesmo caminho. Mesmo que forças G não sejam necessariamente provocadas para podermos sentir as benesses desse esquema de troca de marchas, é possível sentir uma certa facilidade e fluidez a mais dirigindo com o esquema de subida de marchas para trás e reduções com um toque para frente.

Conclusão:

I-Motion oferece uma calibração melhor em todas as situações, é mais civilizado e fala bem mais em conforto do que a “lógica” utilizada no Dualogic (paradoxo). Este, têm a vantagem do esquema de marchas abordado anteriormente - que na verdade - pode pender mais ao gosto pessoal do condutor, não precisa ser regra... 

Entre esses dois concorrentes, quem começou a colocar os pingos no “i” foi a Volks; isso serve de alerta para a Fiat caprichar um pouco mais no gerenciador de uma nova linha de motores que parece ser tão bem nascida.

4 comentário(s):

Anônimo disse...

Fantástica avaliação, deu pra entender melhor o uso dos cambios!

Anônimo disse...

Anônimo, obrigado!

Mas devo sublinhar que a utilização prevista foi apenas utilizando o modo manual de comando. Quem sabe, com o uso normal em D - totalmente automático - o Dualogic talvez revertesse a situação. Ou ao pressionar o pé no fundo, o câmbio da fiat fosse mais "esportivo", ou mais suave no anda e pára....enfim, caberia avaliar todo esse escopo de situações.

Mas como tenho os carros - raros ainda - por pouco tempo, fica complicado escrever e testar com mais propriedade...quem sabe um dia algum escritório regional das marcas faça o empréstimo por um pouco mais de tempo.

Mister Fórmula Finesse

Ernesto Luis Malta Rodrigues disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ernesto Luis Malta Rodrigues disse...

Desculpe, mas você cometeu um erro na avaliação do dualogic. Não se deve tirar o pé do acelerador durante a troca de marchas, senão a central entende que você quer parar e corta o torque. Não sei como é no iMotion, mas se você mantiver o pé normalmente no acelerador durante a troca, sem acelerar ou soltar, a troca é suave. Tenho um dualogic há um ano e meio e todos que andam comigo não percebem as trocas, mesmo no manual.

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