25 de set de 2010

125 + 125 = 400


A Kasinski está numa nova fase e quer crescer. Foi vendida para um conglomerado de empresas chinês e já não deseja ser reconhecida pelos produtos de qualidade inferior. A Comet GT250, de origem coreana (foi desenvolvida pela Hyosung), é o mesmo produto vendido no “antigo período”, porém com aperfeiçoamentos.

O novo modelo recebeu algumas modificações para satisfazer a exigência do mercado de esportivas 250/300 cc. Adotou tecnologias como injeção eletrônica, leds e painel digital para correr atrás de Yamaha Fazer 250 e Honda CB300R. Contudo, a moto coreana oferece algo mais que as rivais: motor de dois cilindros em V.

Isso é um diferencial importante, pois além de passar uma imagem de superesportiva, ele é mais enérgico que os monocilíndricos concorrentes. E o ronco produzido é entusiasmante.


O porte imponente impressiona desde os que estão acostumados com pequenas urbanas até aqueles já experientes com as 250. A moto é alta, larga e musculosa, como uma naked italiana. A paleta de cores é minguada, mas a opção monocromática em preto combina muito bem com o estilo do modelo.

As únicas ressalvas ficam por conta do farol circular, formato já ultrapassado, e dos amortecedores dianteiros que parecem exageradamente compridos, causando a (falsa) sensação de que a roda (17 polegadas) é pequena. Salvo isso, o conjunto é agradável.


As rodas de seis raios curvos são parcialmente encobertas pelos enormes discos de freio, presentes nas duas rodas (300 mm na dianteira e 230 na traseira). Curioso é poder instalar outro conjunto pinça/disco do lado direito na dianteira, pois tanto roda quanto amortecedor são preparados para isso (a explicação é que o modelo GTR, carenado, é equipado com dois discos).


A suspensão dianteira é do tipo invertida e tem apenas 41 mm de curso, ante 120 da Fazer. A traseira é monoamortecida e igualmente curta. Isso é interpretado como desconforto em passeios por caminhos ruins, mas o resultado é melhor do que o esperado. Contribui um pouco os pneus de especificação “H”, aptos a 210 km/h.

A Honda adotou a mesma especificação na CB300, mas a Yamaha preferiu o código S, limitado a 180 km/h e de borracha mais macia. Nas medidas a Kasinski foi contida: 110/70 na dianteira e 130/70 na traseira, enquanto no mercado internacional a Hyosung usa 150/70 na roda posterior. No geral, o conjunto é bem equilibrado e não fica atrás de nenhuma rival.


Como anda: A avaliação foi feita com um modelo equipado com um escapamento esportivo (acessório vendido na concessionária), menos restritivo com os gases. Isso é o suficiente para alterar o desempenho, mas não para impedir o teste. Tal equipamento aumenta o refluxo de gases e influi bastante nas acelerações e nas desacelerações. E por isso não foi possível fazer comparações precisas.

Os dois pistãos começam a trabalhar ao primeiro toque no botão de partida e o sistema de injeção encarrega-se de controlar a mistura de ar e combustível da forma mais perfeita possível. A marcha lenta é estável, mas os 1200 rpm são altos demais.



O câmbio possui cinco marchas em 5-4-3-2-N-1, como em qualquer street conhecida. Seus engates são curtos, mas nem um pouco precisos: as vezes passa-se ao neutro sem querer; e quando se quer engatá-lo, é quase impossível. Contudo, o escalonamento foi bem feito.

No trânsito urbano é possível trafegar de primeira e segunda. Nesse cenário, no entanto, há um grave problema: aquecimento prematuro. Como numa superesportiva, o motor fica muito quente se não forem tomados alguns cuidados. Baixa velocidade não é o forte da Comet.

O motor também não colabora, pois é fraco nas baixas rotações. Os 2,31 kgf de torque são inferiores aos 2,81 kgf da CB e aparecem apenas às 8 mil rotações por minuto. Já os 180 kg exigem força nas manobras.


Habitat natural: Na estrada a situação é bem diferente. O V2 sobe de giro rapidamente e ajuda bastante nas ultrapassagens, sem vibrar e nem reclamar: superaquecimento não existe. É aí que os 32 cavalos mostram utilidade. O ronco torna-se prazeroso e o ponteiro do conta-giros analógico se move com rapidez única. A sensação é de estar numa esportiva de grosso calibre.

Os dois cilindros de 125 cc fazem uma sinergia mágica e juntos resultam em algo parecido com 400 cc. O surto de potência é típico de motores maiores. O 0-100 é feito em poucos segundos e a velocidade de cruzeiro fica acima da média.


Durante a avaliação não foi possível passar dos 152 km/h por causa do capacete inapropriado e do vento, que já incomodava desde os 140. Nesses momentos, uma boa carenagem faz falta.

O farol de 55/60 w ilumina bem e o pisca-alerta é muito útil. A bateria de 12A não deixa ninguém na mão. E a lanterna traseira composta por leds dá visibilidade e beleza.

A Comet tem forte caráter rodoviário e as concorrentes se sobressaem na cidade. Apesar de a moto da Kasinski ter uma mecânica apropriada para o uso em viagens, há alguns detalhes que não permitem esse tipo de uso por longas horas. A falta de proteção aerodinâmica é um deles, mas o banco de espuma demasiadamente rígida causa dores. Quem sofre mais é o eventual passageiro, que tem apenas um minúsculo e rígido assento elevado. O tanque 17 é menor que os das concorrentes.


Agrada, porém, o painel digital com um visor de cristal líquido com velocímetro, marcador do nível de combustível, odômetro total e dois parciais e conta-giros analógico com fundo branco.

Na hora de escolher é bom analisar o uso a ser feito. A Yamaha Fazer é mais prática, leve, econômica e confortável. A CB300 é mista e pode ser equipada com ABS, item crucial para a segurança. A Comet tem como grandes atributos a exclusividade (vende menos), o motor de dois cilindros e o design inspirado.


Ficha Técnica: Kasinski Comet GT250

Motor: dois cilindros em V a 75º, DOHC, arrefecido a ar e a óleo, alimentado por injeção eletrônica
Capacidade cúbica: 249 cm³
Diâmetro x curso (mm): 52 x 48,8
Potência: 32 cv a 10000 rpm
Torque: 2,31 kgf.m a 8000 rpm
Câmbio: Manual de 5 velocidades
Peso (com fluídos): 180 kg
Comprimento x Largura x Altura (cm): 209 x 780 x 112
Entre-eixos (cm): 143
Curso da suspensão dianteira (mm): 41
Tanque (incluindo reserva): 17 litros

4 comentário(s):

Anônimo disse...

Ótima avaliação colega!

Com peso de bigorna, e motor que só acorda lá encima, deve ser uma opção chata para ritmos mais civilizados...uma Fazer não seria melhor?

Mister Fórmula Finesse

Diego M. de Sousa disse...

Ela é bem pesadinha mesmo. E na cidade o V2 esquenta demais.

A Fazer é mais adaptada ao ritmo urbano, sem dúvida.

Edelson disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Edelson disse...

Gostei do texto. Mas, confesso que não do novo design da alça do carona

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