29 de ago de 2010

AVALIAÇÃO VOLKSWAGEN AMAROK

O leitor Mister Fórmula Finesse (leia sobre ele no AUTOentusiastas) fez uma breve avaliação da picape Amarok e nos presenteou o texto com suas impressões.

O GOLF DAS PICAPES

O bom nome do Volkswagem Golf entre os aficionados por carros foi construído ao redor dos excelentes predicados da sua dirigibilidade. É algo inerente ao carro, fato não apenas no Brasil mas no mundo inteiro, independente da geração do carro; se no imaginário comum Golf significa interatividade ao volante, prazer ao dirigir e comportamento sólido e seguro, então fica fácil associar essas características a sua "prima" mais nova Volkswagem Amarok.

Tive a oportunidade de dirigir o novo lançamento da Volks, aposta da marca no segmento concorrido das picapes médias. Como não se tratou de longa avaliação em todo o tipo de terreno, vou precisar alguns dados sob um único tipo de utilização permitido: forte e em asfalto.

Por Fora:


O bicho é realmente imponente, alto e dotado de linhas com retas e ângulos bruscos bem definidos, lembrando um pouco a cabine do Kia Soul, a frente vincada e de forte personalidade que lembra um pouco o Scirocco - esportivo da Volks - mas uma traseira um tanto "comercial" demais, ladeada por lanternas que não fariam feio em nenhum ônibus rodoviário. Questão mais uma vez do caráter do veículo que parece seguir a risca a sisudez germânica. Ao lado de uma Triton, que preza linhas mais fluidas, a questão da personalidade salta à tona novamente.


Entrando na cabine, mais coisas chamam a atenção para o bem e para o mal. O volante de diâmetro contido, ideal para um carro, com um tato simplesmente incrível da pele que reveste o aro, e um desenho que remete ao comando do Passat CC, já é promessa de coisa boa. Bem diferente de algumas japonesas que ainda são um tanto generosas demais em relação ao tamanho das direções, a L200 especialmente. A alavanca de câmbio parece que foi importada do Golf (olha ele ali de novo!), pois suas dimensões reduzidas são um alento em relação ao que estamos acostumados em outras picapes; se lembrarmos das camionetes de 15 anos atrás, o comando da caixa parece ser coisa irreal. Então, temos até aqui a constatação que duas das principais ferramentas de condução são peças agradáveis ao condutor que gosta de dirigir.


Mas nem tudo são flores e a cobertura do painel em plástico rugoso é algo realmente pobre e que dá calafrios em evocar a imagem do antigo Fox, parte dos painéis da porta - excetuando o couro do apoio dos braços - também apresenta aquele acabamento de capa de filme de locadora, material duro, áspero e com pouco preenchimento de espuma em seu interior. O interior todo é um tanto frio e pragmático demais - de novo a visão alemã - com comandos corretos, ótimo espaço, mas tudo sem paixão (A Nissan desenvolveu seu volante de direção inspirada no do 350Z, e os mostradores da L200 são uma "leve" cópia do clúster Porsche). Na questão interior, uma Hilux é um lugar mais refinado passar o tempo.

Chave ligada, é hora de verificar se o DNA Volks impregnado no interior também têm o (bom) respaldo na hora de dirigir. O motor pega fácil e silencioso, praticamente isento de vibrações em marcha lenta, o comando da ré é um mimo, colocando a alavanca para baixo e jogando para a esquerda, a embreagem é como velha conhecida e o carro se move com facilidade. Primeira colocada e já dá para perceber que o pequeno pomo da alavanca fala meias verdades, têm o tato e o tamanho das utilizadas em carros pequenos, mas o comando "por debaixo" dos panos nos lembram enfim que estamos a dirigir uma camionete. O engate é um pouco espaçado, e o motor não coopera muito em condução citadina tipo "estou com sono" com poucos de giros no motor; claro que um toque a mais no acelerador já melhora a coisa, mas fica evidente que o curso do câmbio não é exatamente o de carro - apesar de mais justo que a concorrência - e o motor não é um oito válvulas para dar respaldo a uma certa preguiça na direção.

No calçamento a picape sente as imperfeições do piso, mas com um pouco mais de velocidade, os buracos e desníveis suavizam e a suspensão trabalha melhor... até aqui, tudo muito parecido com as camionetes do segmento.

Chegando ao asfalto sinuoso e sem tráfego, é hora de acordarmos de verdade um dos protagonistas do carro: o motor! Sim... é um mero dois litros. Jocosamente os donos de outras picapes podem achar isso motivo de risada, afinal, o dono de uma L200 pode comentar que cada pistão do motor da sua picape têm o tamanho de uma caneca de chope, e isso sabemos que garante uma considerável onda de torque em rotações menores mas que também tornam o motor tão suave como o de um trator se comparado a pequena jóia da Volks. Pequena mesma, o bloco é diminutivo por debaixo de todos aqueles fios e mangueiras e é incrível o que o volume de uma garrafa pet pode fazer em termos de multiplicação de torque. Mas qual o segredo? Simples, existem dois diabinhos enfezados soprando com força na lateral do motor; como gostamos de carros, é sempre bom ver o termo turbo como periférico do motor de um carro que vamos experimentar, mas isso é carne de vaca e simplesmente mandatório em relação a picapes modernas Diesel.

Mas quando falamos na configuração biturbo, é impossível não pensarmos em coisas realmente exóticas como o endiabrado Audi RS6 que teve o desplante de adicionar dois "caracóis" no motor V10 do Lamborghini; quando temos a informação que um dos turbos da Amarok é para dar o impulso inicial em baixa e o outro serve para pressurizar nas altas rotações, aí sim que nossa cabeça dá um salto mortal imaginando coisas maléficas e maravilhosas como um Lancia S4 que tinha compressor e turbo chicoteando um pequeno bloco. Em uma roda de bar, você poderá simplesmente dizer que sua picape é biturbo, veja que impressão isso causa no rosto dos seus amigos...

Pequeno demônio assoprador!

A sigla TDI acredito que tenha a mesma aura para os fanáticos por carros europeus como o nosso motor 250 da GM e AP da Volks têm para os brasileiros; versátil a ponto de equipar uma versão GT do Golf europeu, ou a animar uma picape pesada, essa variante diesel já têm muita história para contar e parece que começará uma senda interessante também aqui desse lado do Atlântico. É bom lembrar que os carros multi vitoriosos da Le Mans também ostentam a sigla TDI. Família de motores porreta!

Logo nos 1500 giros, a força aparece de forma suave e com crescimento de giros mais condizente com um motor a gasolina. Aquela suave pressão nas costas, de muitos quilos (muitos mesmo) começando a despachar rapidamente pelo asfalto é facilmente perceptível, o crescimento da velocidade é bem sentido fisicamente e não apenas pela mudança de paisagem lá fora. É interessante se pegar saindo em primeira marcha, acelerar bastante, colocar rápido a segunda marcha e sentir o empuxo imediato, me peguei fazendo isso várias vezes.... O motor não é "vocal" como da Hilux, é silencioso, quase isento de vibrações e te empurra longos morros acima com bastante vigor, poucos pontos abaixo da insanidade - em se tratando de picapes, é claro - que é uma Frontier que gosta de limpar e empurrar tudo à sua frente. Mas na comparação com esta, é nítido que a Volks é mais civilizada e disposta em rotações normais.

Mesmo na condição de modesto motorista, devo destacar que o envolvimento com o carro é quase imediato se deseja andar forte, ela é sólida, íntegra e passa muita confiança nas curvas. Ritmos que não fariam feio a muitos carros podem ser adotados se aplicar uma condução linear na camionete, freando forte apenas reto, sem excesso de comando na direção nas entradas de curvas, atacando com confiança mas sem fazer loucuras em velocidades terminais. A carroceria rola pouco mas os pneus de perfil bem estradeiro não comunicam esforços ou abusos, não existe perda de tração e apenas o controle de estabilidade se manifesta no painel, mas bem menos do que eu deveria esperar.

A aceleração lateral é criada paulatinamente em curvas de raio constante a ponto dos bancos começarem a ceder ao peso do motorista antes da camionete acusar os verdadeiros limites. A direção elétrica é franca em suas intenções, sem hiatos de infonnações e com peso correto mesmo em velocidades elevadas. O envolvimento cresce, a velocidade também, e a caixa começa a ficar mais rápida nos engates das últimas três relações, a quinta marcha não enche totalmente até os 170 km/h pois a reta em declive é curta e é preciso frear com força e reduzir; a sexta para andar forte é totalmente dispensável pois parece ser uma overdrive bem longa.

Curvas vêm e vão, o conjunto todo parece incitar o motorista a acelerar mais sem punir a audácia com a cobrança do preço final, é um pouco difícil conter o ímpeto ao volante, uma volta nessa picape para experimentá-la ao redor da quadra pode facilmente se transfonnar em uma passeio até a praia...

Findo o teste, a certeza que o tempo (e a estrada) passaram rápido demais, que a picape parece bem ancorada por forte eletrônica que deve fazer misérias também no fora de estrada, mesmo que com pneus pouco adequados. A certeza também que se a picapes fossem proibidas de andar na terra ou dos seus afazeres para que originalmente foram criadas e fossem destinadas apenas ao asfalto, essa seria a minha camionete, pois ela está em um nível ligeiramente melhor no drive em rodovias do que seus pares, e - finalmente - remetendo ao título do post, creio que eu não me surpreenderia se um dia desses visse a icônica sigla GTI pendurada na grade dianteira!

12 comentário(s):

Vitor disse...

Muito Bom!

Paulo Keller disse...

Esse texto eu conhecia! O Mister Fórmula Finesse é coisa fina! Abraço ao Diego e ao MFF.

PK

Diego (Meu Amigo de Lata) disse...

Valeu PK!

Anônimo disse...

Obrigado amigos! Tenho a cabeça fervilhando com vários possíveis posts, se eu encontro incautos que leiam, eu faço...

MFFinesse

Diego (Meu Amigo de Lata) disse...

MFF,

Hoje enviei o e-mail com o convite

Anônimo disse...

Tchê, manda de novo que não veio!

Já tenho título para o próximo: "Jean Ragnotti e o carrinho de supermercado"

já tenho na cabeça, quando der eu escrevo e envio (para o email particular do PK também, ele é o "culpado"...rs)

MFFinesse

Diego (Meu Amigo de Lata) disse...

Enviei novamente

Diego (Meu Amigo de Lata) disse...

MFF, irá aparecer assim:

Horácio Mouta convidou você para contribuir no blog: Meu Amigo de Lata.

Marco Antônio Oliveira disse...

Diego e MFF,

Este blog está ficando muito interessante, parabéns!!!

MAO

Diego M. de Sousa disse...

MAO,

Estou feliz por receber este elogio. Muito obrigado!

tdgames disse...

amarok não vale nada

Anônimo disse...

tenho uma amarok 10/11 reprogramei o modulo hoje esta fazendo 1 ano que fiz, saiu de 163 cavalos para 216 não so aumentou a força como tambem tenho final,ainda não consegui ver nenhuma camionete andar igual,pricipalmente em curvas.não troco por nenhuma que tem no mercado nacional, a diferença de segurança e muito grande para as outras.que ja posui.

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