4 de jun de 2010

Gol GTi, o saudoso esportivo nacional


O Brasil sempre teve um mix de carros. No início vieram os americanos, como importadores. Depois vieram os europeus (Isetta e DKW) como fabricantes. Ficou no mercado por muitos anos uma mistura de carro americanos e europeu, até que os brasileiros se inclinaram por este último.

Daí os grandes esportivos de motores seis-em-linha e V8 ficaram no passado. Restou os esportivos pequenos, leves e como motor de quatro cilindros. A Ford trocou o Maverick GT pelo Escort XR3; o Opala SS foi trocado pelo Monza S/R. A Volkswagen trouxe a famosíssima sigla GTi, usada no Golf e no Polo, para o Gol. Era o início do mais famoso esportivo nacional.

Ele era capaz de deixar os donos de Opalões e Mavecos originais de boca aberta. Seu motor 2-litros injetado tinha uma agilidade fabulosa. O seu ronco, nada embaralhado como o de um V8 carburado, empolgava e os seus 114 cavalos eram ágeis. Era curto, leve e bem equipado com direção hidráulica (com volante "quatro bolas"), ar condicionado e bancos Recaro.

Os defeitos do Gol - falta de espaço, direção rápida, suspensão rígida e desenho antiquado - eram esquecidos no GTi. Por quatro anos o GTi mandou no mercado. Só não tinha uma versão conversível, oferecida no XR3, que não tinha um motor condizente com a aparência.

A chegada do Kadett GSi e do Escort XR3i com motor AP diminuiu o brilho do Gol. O Kadett tinha três cavalos a mais, teto solar e uma aparência mais moderna. O Ford era claramente mais bonito e tinha o mesmo AP-2000 de 114 cavalos.

Mesmo assim o velho VW, com dez anos, era interessante. O conjunto de roda Orbital, os faróis instalados sob as garras e a pintura da parte inferior da carroceria em prata eram exclusivos do Gol.

Esse esportivo durou apenas sete anos. A segunda geração não tinha a mesma personalidade. Nem a versão de dezesseis válvulas e 146 cavalos conseguiu ser desejável como a antiga. E a segunda fase da segunda geração, com quatro portas e aparência quase idêntica a qualquer Gol 1.0 (G3), matou de vez o GTi.

Mas isso foi bom, pois reforçou o valor daquele carrinho quadrado, apertado, porém agressivo e sedutor. Sua exclusividade - era muito caro e poucas unidades foram produzidas - eleva seu valor de mercado. Quando em bom estado um exemplar pode ultrapassar facilmente a barreira dos vinte mil reais. Isso numa versão do carro mais vendido do país!

É o preço do que ele representou e representa para muitos brasileiros. É o mesmo que Camaro e Mustang para os americanos, Skyline e NSX para os japoneses, Monaro para os australianos...

2 comentário(s):

Mister Fórmula Finesse disse...

Muito legal, mas é sempre bom lembrar que o gol gti nunca teve 120 cavalos, mas sim 114 na versão sem catalisador e depois 112. São valores líquidos visto que o gol supostamente chegou aos 125 cavalos brutos (sacanagem da volks) depois do lançamento,um ou dois anos após...

Exemplo: Não era surpresa que o Monza E.F. então sempre foi mais rápido que o Santana EX apesar dos alegados 9 cavalos a menos, a conta na verdade era (116 monza e 114 santana ex).

Saudações e ótimo blog!!!

Diego de Sousa disse...

Obrigado pela correção e pelo elogio. Os valores já estão modificados.

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